Endividamento vs Rendimento: A Taxa Que Decide Mais Do Que o Salário
O salário chama a atenção, mas é a taxa de endividamento que decide. É uma única fração — os seus pagamentos mensais de dívida sobre o rendimento bruto mensal — e, em vários mercados, não é apenas uma orientação, mas sim um limite regulatório que o banco não pode ultrapassar.
O útil numa taxa é que tem dois lados. A maioria tenta mexer no que é mais difícil de alterar.
O cálculo#
Some todos os pagamentos mensais de dívida, incluindo a prestação do crédito à habitação pretendido. Divida pelo rendimento bruto mensal. Essa é a taxa. Em alguns mercados, usa-se uma versão só para habitação — apenas custos de casa — a par do total, e o valor só para habitação costuma ter um limite mais baixo.
- Numerador: prestação do crédito à habitação pretendido, mais outros empréstimos, financiamento automóvel, mínimos de cartões de crédito, prestações de crédito estudantil e obrigações de pensão de alimentos.
- Denominador: rendimento bruto mensal, antes de impostos, com componentes irregulares a serem médias ou descontadas.
- Taxa só para habitação: apenas custos de casa sobre rendimento, onde o mercado a utiliza.
- Taxa global: todas as dívidas sobre rendimento — normalmente chamada DTI.
A prestação do crédito à habitação pretendido entra no numerador, o que faz disto uma restrição e não apenas uma descrição: quanto mais quiser pedir emprestado, pior fica a sua própria taxa.
Onde estão os limites#
| Mercado | Limite comum | Notas |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 43% típico, pode ser mais com fatores compensatórios | Regras variam conforme o tipo de empréstimo |
| França | 35% incluindo seguro do mutuário | Limite regulatório com quota de exceção limitada |
| Reino Unido | Sem limite fixo de DTI; múltiplo de rendimento mais teste de esforço | Limites de rácio rendimento/empréstimo aplicam-se ao portefólio |
| Países Baixos, países nórdicos | Normas baseadas no rendimento mais regras de amortização | Definidas pelo regulador, atualizadas periodicamente |
| Índia | Normalmente entre 40–50% | Varia conforme o banco e o nível de rendimento |
Quando é o regulador a definir o limite, o banco realmente não pode emprestar acima desse valor para a maioria dos clientes — por isso é que um apelo com base na sua capacidade de pagar não resulta.
O que conta como dívida#
- Todos os pagamentos de empréstimos a prestações: financiamento automóvel, créditos pessoais, crédito para mobiliário.
- Pagamentos mínimos de cartões de crédito — e, nalguns bancos, uma percentagem do limite mesmo com saldo zero.
- Pagamentos de crédito estudantil quando são contratuais e não dependentes do rendimento.
- Obrigações de pensão de alimentos e apoio a filhos.
- Garantias que deu sobre empréstimos de terceiros.
- Compromissos de compra agora e pague depois, cada vez mais visíveis nos relatórios de crédito.
Dois destes surpreendem sempre: um limite de cartão de crédito não usado e ser fiador de um familiar. Ambos podem ser removidos rapidamente se souber onde procurar.
Como alterar a taxa#
Ambos os lados podem mexer, mas a velocidades muito diferentes. Reduzir o numerador é rápido e está ao seu alcance; aumentar o denominador normalmente não está.
- Liquide o empréstimo a prestações mais pequeno — elimina todo o pagamento mensal, que é o que conta para a taxa.
- Reduza ou feche limites de cartões de crédito não usados, com antecedência de alguns meses para atualizar o relatório.
- Evite contrair novos créditos nos seis meses antes do pedido, incluindo contratos de telemóvel financiados como crédito.
- Considere um prazo de crédito à habitação mais longo: reduz a prestação mensal e, por isso, a taxa, mas implica mais juros totais.
- Aumente a entrada inicial, o que reduz o empréstimo e a prestação em simultâneo.
- Se o rendimento for conjunto, veja se pedir sozinho altera qual o limite que se aplica.
O quarto passo é um verdadeiro compromisso e não um truque. Melhora a taxa tornando o empréstimo mais caro no total, e só faz sentido se a alternativa for não comprar.
Porque é que os bancos usam esta taxa#
É o melhor indicador isolado de se as prestações vão mesmo ser pagas. O rendimento mostra o que entra; a DTI mostra o que já está comprometido. Um agregado familiar que gasta metade do rendimento bruto em dívidas tem pouca margem para uma subida de taxa, uma avaria ou um mês sem trabalho — e tanto bancos como reguladores aprenderam em 2008 o que acontece quando essa folga desaparece em massa.
Vale a pena adotar esta perspetiva em vez de resistir. A taxa não é um obstáculo entre si e uma casa; é uma medida aproximada da folga financeira do agregado, e vale a pena conhecer o seu próprio valor independentemente do que o banco diga.
Perguntas frequentes
Qual é uma boa taxa de endividamento para crédito à habitação?
Abaixo de cerca de 35 por cento, incluindo o crédito à habitação pretendido, é confortável quase em todo o lado; abaixo de 43 por cento é o limite habitual nos Estados Unidos; em França aplica-se um limite regulatório de cerca de 35 por cento, incluindo o seguro do mutuário. Quanto mais baixa, melhor — aumenta a escolha de bancos e melhora a taxa de juro a que pode aceder. O valor inclui o crédito que está a pedir, por isso quanto mais pedir, pior fica a sua própria taxa.
O que conta como dívida no cálculo da DTI?
Todos os pagamentos mensais contratuais: créditos a prestações, financiamento automóvel, mínimos de cartões de crédito, prestações contratuais de crédito estudantil, pensão de alimentos e qualquer empréstimo de terceiros por si garantido. Alguns bancos também consideram uma percentagem do limite de cartões de crédito não usados como dívida potencial. Os dois que mais apanham as pessoas são precisamente esses — um cartão antigo com limite alto e saldo zero, e ser fiador de um familiar.
Como posso melhorar rapidamente a minha taxa de endividamento?
Atue sobre o numerador, que é o lado que controla. Liquidar o crédito a prestações mais pequeno elimina todo o pagamento mensal, que é o que conta para a taxa — pagar metade de um maior ajuda muito menos. Feche ou reduza limites de cartões de crédito não usados, dando alguns meses para atualizar o relatório de crédito. Evite contrair novos créditos nos seis meses antes do pedido. Prolongar o prazo do crédito à habitação também reduz a taxa, mas com um custo real em juros totais.
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